Editorial Litoral

A megaoperação realizada pelas forças de segurança no Rio de Janeiro nesta terça-feira (28) resultou na morte de 4 agentes públicos — dois policiais civis e dois do Bope — e na prisão de mais de 80 criminosos, ligados ao tráfico e ao roubo de cargas. Mais de 75 fuzis, além de pistolas, granadas e outros materiais bélicos, foram apreendidos durante a ação, que mobilizou cerca de 2.500 policiais das polícias Civil e Militar nos Complexos do Alemão e da Penha. A operação tinha como objetivo cumprir mandados de prisão contra lideranças envolvidas em homicídios e tráfico de drogas.

O saldo da operação, embora trágico, representa um duro golpe contra o crime organizado e expõe o nível de enfrentamento necessário para retomar o controle de territórios dominados por grupos armados. Nos últimos anos, o Rio tem se tornado um exemplo de Estado acuado, em que o poder público cede espaço ao tráfico e à milícia, permitindo que a violência se normalize no cotidiano da população.

Enquanto policiais arriscam — e muitas vezes perdem — suas vidas em nome da lei, parte da classe política insiste em relativizar a criminalidade, atribuindo a violência a causas sociais e não a escolhas morais. Essa visão enfraquece o combate ao crime e alimenta um discurso de vitimização que transforma criminosos em mártires e policiais em vilões. A tragédia desta terça revela um problema mais profundo: com educação de base sucateada, economia estagnada, corrupção cultural e impunidade generalizada, o Brasil criou o ambiente ideal para o avanço do crime e o enfraquecimento da lei.

O Rio de Janeiro é hoje o retrato mais claro de um Estado que, em parceria tácita com o tráfico, perdeu o controle de suas fronteiras morais e institucionais. A operação, apesar de dolorosa, é um passo necessário na tentativa de reafirmar o poder do Estado sobre o crime e de resgatar a confiança da sociedade nas forças da ordem. Cada policial morto representa o preço pago por um país que abandonou os valores da disciplina, da autoridade e da justiça, e também um chamado para reconstruir o Brasil sobre os alicerces da lei e da moral, e não da conivência com o caos.

DESTAQUES