A previsibilidade prometida por Hugo Motta durante sua campanha eleitoral se dissipou após o anúncio de uma pauta sendo subida às pressas para votação em uma sessão semipresencial, sem a devida transparência ou tempo para a análise detalhada. A decisão gerou indignação entre deputados e especialistas, que apontam o movimento como uma tática para acelerar decisões sem debate adequado.

Entre os itens da pauta, destaca-se a criação do Comitê Soviético da reforma tributária, que tem sido amplamente criticado. O projeto, que visa alterações profundas no sistema fiscal brasileiro, poderá resultar no aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), colocando o Brasil entre os países com o maior imposto sobre consumo do planeta. Muitos brasileiros só perceberam as consequências desse item depois de já aprovado, o que aumentou a frustração popular.

Outro projeto controverso incluído na pauta é o PLP 163-C, que permite a criação de novos mecanismos para burlar o teto de gastos, uma das principais âncoras fiscais da economia brasileira. A medida é vista por críticos como mais um “puxadinho” para permitir gastos além do limite estipulado, comprometendo a estabilidade financeira do país.

A pressa em votar essas propostas sem o devido debate levanta questões sobre a transparência e o real compromisso do governo com a estabilidade econômica e com a gestão responsável dos recursos públicos. O episódio também reacende o debate sobre a eficiência e os impactos das reformas tributária e fiscal no Brasil.

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