Cerca de 4,4 milhões de pessoas que vivem na região metropolitana do Rio de Janeiro estão subjugadas por grupos armados, entre traficantes e milicianos, aponta o Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, elaborado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (UFF), em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência (USP) e a plataforma Fogo Cruzado.
No município do Rio, 2,6 milhões de moradores — aproximadamente 40% da população da capital — vivem em áreas controladas ou disputadas por organizações criminosas. Quase um terço da população fluminense, ao todo, está sob influência desses grupos.
Segundo o levantamento, as milícias controlam áreas com cerca de 3,6 milhões de pessoas, enquanto o tráfico domina regiões com cerca de 3 milhões. Em alguns bairros, há disputa ou convivência entre os dois, ampliando o alcance territorial da violência.
Nessas áreas, o poder público é frequentemente substituído por regras impostas pelos criminosos. A circulação de pessoas, o comércio e até atividades religiosas dependem de autorização dos grupos armados. Moradores muitas vezes são obrigados a pagar “taxas de segurança” e consumir serviços controlados por milicianos ou facções.
O controle ilegal impacta diretamente a vida cotidiana. Em bairros como Praça Seca, Senador Camará e Campinho, confrontos e operações policiais são frequentes, afetando escolas, postos de saúde e comércio local. Um levantamento da CNN Brasil indica que moradores dessas áreas chegam a pagar até 30% mais caro pelo botijão de gás devido ao monopólio imposto pelos grupos.
Pesquisadores apontam que a expansão das milícias e do tráfico está ligada à fragilidade institucional e à presença irregular do Estado. Em regiões com serviços públicos precários, a segurança e a economia local acabam sendo ocupadas por grupos armados. As milícias se tornaram o principal grupo armado em extensão territorial no estado, com indícios de influência política e econômica em algumas áreas.
Especialistas defendem que o combate a esses grupos exige mais do que operações policiais: é necessária presença contínua do Estado, com políticas de segurança, educação, infraestrutura e geração de renda, para reduzir a dependência da população em relação ao poder paralelo.
Enquanto isso não ocorre, milhões de pessoas seguem vivendo sob coerção e sem acesso pleno à cidadania e aos direitos básicos.
Fontes: Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro (UFF, USP, Fogo Cruzado); O Globo; Extra; CNN Brasil; Disque-Denúncia