O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), afirmou que uma eventual indicação do MDB para compor a chapa de Lula em 2026 teria caráter “simbólico e importante”, mesmo sem reivindicação formal da vaga de vice. A declaração, feita ao programa Mercado Aberto, do Canal UOL, pode parecer discreta, mas revela um movimento estratégico que merece atenção.
Renan ressaltou que o partido prioriza fortalecer sua ala governista e ampliar o apoio ao presidente: “O partido está apoiando o governo Lula, tem três ministros, e precisamos fortalecer essa ala para vencer a convenção.” Até aqui, uma fala institucionalmente correta. Mas o que está por trás do discurso oficial?
Analistas políticos apontam que a saída “pela tangente” do ministro pode ser interpretada como uma manobra para evitar uma derrota política significativa em Alagoas, diante da popularidade consolidada de JHC. O MDB, tradicionalmente forte no estado, enfrenta agora a realidade de que seu domínio local é desafiado por um fenômeno político que conquistou quase 84% dos votos na capital, mesmo em meio a problemas históricos da cidade.
A leitura mais cuidadosa sugere que o discurso sobre simbolismo é, na prática, uma tentativa de blindar o partido e Renan Filho de um desgaste eleitoral antecipado, enquanto mantém a narrativa de influência nacional. É a clássica estratégia de quem prefere evitar confronto direto, preservando espaço para futuras negociações e alianças.
O episódio evidencia a complexidade da política alagoana: forças históricas se equilibram entre tradição e emergência de lideranças novas, e cada declaração pública pode ter camadas de significado. Para o MDB, a prioridade declarada — apoiar Lula e consolidar a ala governista — se mistura com a necessidade pragmática de sobreviver politicamente em Alagoas, em um cenário que, para muitos, já tem favorito local.