O prejuízo dos Correios no primeiro semestre de 2025 chegou a R$ 4,37 bilhões, segundo dados oficiais divulgados nesta semana. O resultado — quase três vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior — reacende o debate sobre o papel do Estado como empresário e a eficiência das estatais brasileiras.
A empresa pública, que já foi símbolo de eficiência na entrega de correspondências, hoje enfrenta gargalos estruturais, baixa competitividade e custos de gestão inflados. Enquanto o mercado privado se adapta com rapidez às novas tecnologias e modelos logísticos, os Correios permanecem presos à burocracia e à dependência de repasses federais para sobreviver.
Economistas apontam que o problema vai além da gestão: é estrutural. O modelo estatista que coloca o Estado como operador de serviços típicos do setor privado — como o envio de cartas e encomendas — gera ineficiência, desperdício e desresponsabilização. “O Estado deve ser regulador, não empresário”, afirma um analista ouvido pelo Litoral.
Com o avanço das empresas privadas de logística e o crescimento do comércio eletrônico, a estatal perde espaço ano após ano. A privatização, adiada por pressões políticas e corporativas, volta a ser tema inevitável diante do novo rombo bilionário.
Enquanto isso, quem paga a conta continua sendo o contribuinte — financiando um modelo que insiste em se perpetuar, mesmo quando os números mostram que ele não entrega.