Os ministros do Supremo Tribunal Federal não deram — e, até o momento, não sinalizam que darão — explicações públicas sobre eventuais vínculos com o Banco Master, alvo de controvérsias recentes no sistema financeiro. O silêncio tem alimentado questionamentos sobre transparência institucional e limites entre decisões técnicas, relações privadas e controle externo das cortes superiores.

Críticos apontam que, nos últimos anos, decisões do STF ampliaram de forma significativa o alcance do Judiciário, com intervenções que afetaram garantias processuais, a liberdade de expressão e a atuação de outros Poderes. Para esses analistas, a ausência de mecanismos efetivos de responsabilização teria contribuído para a percepção de que ministros operam com baixa prestação de contas, amparados por uma leitura ampla da chamada “defesa da democracia”.

O debate ganhou força ao levantar o risco de precedentes institucionais: medidas excepcionais adotadas em contextos políticos específicos tendem a se perpetuar e a transbordar para outras áreas sensíveis, como o sistema financeiro. Especialistas alertam que a confiança nas instituições depende não apenas de autoridade, mas de transparência, previsibilidade e respeito a freios e contrapesos — condições essenciais para a estabilidade democrática e econômica.

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