A divulgação do texto do projeto de lei que altera a dosimetria das penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro provocou nova disputa política em Brasília. Segundo o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o PL reduz de forma significativa as penas, permitindo que a maioria dos condenados já cumpra, no mínimo, regime aberto. A proposta, no entanto, não altera substancialmente a situação de Jair Bolsonaro e outros investigados no inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores, aliados afirmam que a iniciativa seria uma retaliação indireta à decisão de Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro como seu indicado para disputar a Presidência da República em 2026. A leitura é de que a escolha do ex-presidente irritou setores políticos que esperavam um nome mais amplo dentro da direita, reacendendo divisões internas no campo conservador.
A possível motivação política gerou novas especulações sobre o impacto do projeto e seu uso estratégico no xadrez eleitoral. Enquanto a base bolsonarista avalia que o texto pouco ajuda o ex-presidente e pode até prejudicá-lo, parlamentares envolvidos nas negociações afirmam que o PL atende a uma demanda humanitária relacionada aos condenados do 8 de janeiro, sem ligação direta com a disputa presidencial. Um vídeo explicando os bastidores do caso deve ser divulgado pelos apoiadores de Bolsonaro ainda hoje.