A inadimplência no setor rural chegou a R$ 48 bilhões, segundo os dados apresentados, contra R$ 2 bilhões há cinco anos. A taxa de inadimplência teria saltado de 0,5% para 5,6%, enquanto a venda de colheitadeiras acumula queda de 85% desde 2022, evidenciando o aperto financeiro enfrentado pelo setor.

O impacto também aparece no sistema bancário. O Banco do Brasil já teria retomado mais de 130 fazendas neste ano, enquanto a utilização de cláusulas que permitem a retomada do imóvel sem a necessidade de passar previamente pelo Judiciário teria saltado de 3% para 63% dos contratos em apenas uma safra. O Santander, por sua vez, teria reunido fazendas retomadas em um Fiagro de R$ 97 milhões, movimento que chama atenção para uma realidade cada vez mais visível: bancos passando de credores a proprietários de terras.

Diante do tamanho do problema, o governo editou uma medida provisória prevendo R$ 28 bilhões para enfrentar o rombo, valor considerado insuficiente pelo setor, que reivindicava mais de R$ 100 bilhões. Os números apontam para uma crise que ultrapassa a capacidade individual dos produtores: quando o crédito seca, a inadimplência aumenta, máquinas deixam de ser compradas e propriedades passam a mudar de mãos.

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