A onda de recuperações judiciais já chegou às microempresas brasileiras. O número de microempresas em recuperação judicial saltou de 513 no início de 2023 para 1.575 no segundo trimestre de 2026, praticamente triplicando em pouco mais de três anos. Entre as pequenas empresas, o crescimento chegou a 69%. Ao todo, o país registrava 6.341 empresas em recuperação judicial ao final de junho.

O avanço ocorre em um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e dificuldade crescente para empresas refinanciarem suas dívidas. A recuperação judicial, historicamente mais associada a grandes companhias, vem atingindo com força negócios menores, que possuem menor capacidade financeira para absorver aumento do custo do crédito e queda nas vendas.

O movimento acende um alerta para a economia real. Quando a crise chega à microempresa, chega também ao pequeno comerciante, ao prestador de serviço e aos trabalhadores que dependem desses negócios. O aumento das recuperações judiciais revela que o problema dos juros e do crédito deixou de ser apenas uma questão macroeconômica e passou a afetar diretamente quem está na ponta da atividade produtiva.

DESTAQUES